quinta-feira, 9 de agosto de 2007

again.

Ela, que veio exercitar suas psicoses em mim, devia saber agora que minhas motivações eram todas as que não me pertenciam. Porque chorar eu não podia. Desejar eu não podia. Querer morrer... Ora, o círculo do inútil estará sempre em meu pulso, lembrando-me de um cotidiano que exige e salva. Sei que aquilo que a movia para mim é o mesmo que move todos os fantasmas que querem voltar à vida. E dar a vida ela podia, fazer com que eu acreditasse nela ela podia. Mas me deixou vacilando entre alegrias e desesperos, como um ponterio quebrado. Um que funciona meio torto. Engraçado, mas hoje sinto-me, naqueles dias, dessa maneira. Desregulada. Tudo, o momento em que eu estava, quando o alarme deveria soar, quais musiquinhas deveriam soar, quais musiquinhas tocariam para eu acordar. Tendo sido melhor assim. Nunca quis ser horário para ninguém; não consigo corresponder à nenhuma necessidade. Hoje mais ainda – não quero ficar como uma mímica, uma maluca ao longe, forçando caras e gestos, para lembrar alguém qual é o meu filme preferido, ou o que eu espero de presente de Natal. Precisava, portanto, fazê-la parar, fazer-me parar, fazer-nos parar, as duas, de nos jogar uma na outra. Mostrando-me nela e mostrando-a em mim. Fazendo-a se amar em mim. Estávamos no epicentro do fenômeno, doentes de paixão.

F.Y

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